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HPV - Diagnóstico - Tratamento - Cura

sexta-feira, 21 de abril de 2017 / Dr Marcus Cavalheiro

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HPV - Um breve histórico : as verrugas genitais são antigas na humanidade, sendo relatadas na literatura grega e romana, já com  a conotação de serem sexualmente transmissíveis. Seu aspecto arredondado terminando em ponta, levou ao nome de Condiloma Acuminatum. Na Idade Média não receberam muita importância e no século XV eram interpretadas como manifestação sifilítica. A partir do século XVIII foram consideradas como uma doença distinta e apenas no século XX foi atribuída sua origem viral. Em 1968 os papilomavírus foram relacionados com os condilomas e em 1986 foram classificados em tipos e sub tipos. Em 1990, com o advento da Biologia Molecular,  estavam identificados os 100 subtipos diferentes de HPV, sendo 21 deles relacionados às lesões precursoras e câncer do trato genital inferior. Foram classificados como :

1) Baixo risco, os vírus : 6,11,42,43 e 44

2) Alto risco, os vírus : 16,18,31,33,35,39,45,50,51,53,55,56,58,59,64 e 68.

Epidemiologia : a infecção pelo HPV está presente nos 5 continentes e o DNA viral pode ser  encontrado em 10 % a 20 % das mulheres sexualmente ativas. As gestantes são mais vulneráveis pelas alterações hormonais, imunológicas e genitais próprias da gravidez e consequentemente a presença do vírus HPV e suas manifestações clínicas podem ser encontradas com maior frequência.

HPV e Câncer : segundo o Instituto Nacional do Câncer, o Câncer do Colo Uterino ocupa o segundo lugar entre as Neoplasias Malignas que acometem as mulheres brasileiras. O HPV é encontrado em 99 % das neoplasias do colo uterino, em 50 % nas neoplasias de vagina e vulva e em 85 % das neoplasias anais. 

Evolução da infecção : após a penetração do vírus HPV, predominantemente após contato sexual, estima-se um período de incubação de 3 semanas a 8 meses até o aparecimento das lesões, clínicas o subclínicas. Diversos fatores podem interferir na sua evolução, a maioria relacionada com o sistema imunológico e pode até ocorrer cura expontânea em uma razoável percentagem dos casos, em até 2 anos. Uma estatística comprovou  o desaparecimento pós parto do HPV em 70 % das gestantes com a infecção no terceiro trimestre.

Quadro clínico :

1) Infecção latente - é a forma mais comum, quando se detecta a presença do vírus pelas técnicas de biologia molecular mas ainda não ocorrem alterações celulares que possam ser diagnosticadas pela colpocitologia oncótica ( Papanicolau ) ou pela Colposcopia. Esta forma não é contagiosa e não tem potencial oncogênico, mas pode desencadear as duas outras formas, a seguir.

2) Infecção subclínica - alterações colposcópicas e/ou microscópicas diagnosticadas pelo Papanicolau e Colposcopia, confirmadas pela biópsia. Esta fase é contagiosa e  a gravidade das lesões pré-cancerosas são definidas pelo resultado da biópsia. 

3) Infecção clínica - percebida pela mulher e/ou pelo ginecologista como verrugas queratinizadas ou não, muitas vezes espiculadas, que acometem o introito vaginal, os pequenos e grandes lábios, as  regiões peri anal, anal e paredes vaginais. São extremamente contagiosas.

Tratamento : tem como objetivo a destruição da lesões causadas pelo vírus, o estímulo do sistema imunológico e finalmente a erradicação do vírus.

a) A destruição das lesões pode ser realizada com substâncias químicas ou métodos físicos ( eletrocoagulação ou criocauterização ). A escolha do tratamento vai depender da localização e gravidade das lesões. Entre os métodos físicos, a Criocauterização com Óxido Nítrico ou Gás Carbônico é muito superior à Eletrocoagulação pelo melhor resultado curativo e restauração mais completa do tecido, associada  a um menor desconforto no procedimento.

Nos casos em que existe uma alteração pré cancerosa moderada ou grave no colo uterino , indica-se a cirurgia no colo  pelas técnicas de Conização ou CAF     ( cirurgia de alta frequência ). As lesões de alto grau em paredes vaginais podem ser tratadas pelo Laser de CO2. 

b) Estímulo do sistema imunológico - deve sempre ser realizado. Utilizamos medicamentos homeopáticos e fitoterápicos e seu uso  deve persistir depois do desaparecimento das lesões clínicas e subclínicas, enquanto o vírus estiver detectável. A vacina para o HPV pode ser utilizada também para fortalecer a imunidade contra os subtipos 6,11,16 e 18 e facilitar a eliminação do vírus, mas sua aplicação nos casos em que já existem as lesões ainda é discutível.

Cura  : As lesões pré cancerosas causada pelo vírus HPV são todas curáveis, utilizando-se um ou mais   métodos acima descritos. A eliminação total do vírus pode demorar até 2 anos, mas ocorreu em todas as nossas pacientes.

Prevenção do Câncer Genital ( vulva, vagina e colo uterino ) :  realizada pelo  exame ginecológico semestral, coleta do Papanicolau anual (semestral em alguns casos ) e pesquiza do  vírus HPV.  O parceiro deve estar atento à qualquer alteração genital suspeita e procurar um urologista.

Não devemos esquecer que o comportamento sexual monogâmico e fiel, diminui acentuadamente a possibilidade de contaminação pelo vírus, mas não exclui totalmente. O uso de preservativos minimiza mas não evita a contaminação pelo HPV. A vacinação para o HPV é formalmente indicada para as mulheres que ainda não apresentaram alterações pelo vírus, mas ainda não se sabe quanto tempo dura esta proteção.

 Uma mulher que toma todos estes cuidados, raramente terá câncer do colo uterino. 

 

Fontes de consulta : livro Obstetrícia - Ed. Manole - São Paulo,  2011

    Focchi J. Papovavírus. In: Infetologia em ginecologia e obstetrícia, São Paulo : Ateneu, 1997  

    Diversas pesquisas sobre o tema

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