Artigo

PARTO HOSPITALAR HUMANIZADO

terça-feira, 4 de abril de 2017 / Dr. Marcus Cavalheiro

Voltar à lista de artigos

Pode-se entender humanizar, como a disposição de estar atento às condições e necessidades do outro, que na área da saúde, implica em conhecer a pessoa,  que vai receber o  atendimento, com maior profundidade. No caso das gestantes, esta relação médico-paciente se estabelece durante o pré natal, período em que se acompanha o  desenvolvimento fetal, sem esquecer as múltiplas alterações do organismo e psiquismo maternos, orientando e tratando as intercorrências  que vão aparecendo.  

A mulher grávida não é só um corpo que gera um filho; traz consigo suas vivências afetivas, seus medos, seus sonhos e fantasias. A ansiedade, a insegurança e o medo tendem a  aumentar à medida que o parto se aproxima, pois  o parto é percebido como uma situação em que não se pode prever exatamente  como vai acontecer ou que  complicações podem surgir. 

Neste momento é fundamental o apoio e esclarecimento do Obstetra e equipe, que vai avaliar a real situação da gestante frente ao parto que se aproxima, o tipo de pelve e a relação feto pélvica, os preparativos que  habitualmente ocorrem  no organismo no   final de gestação, necessários para um parto normal e se há algum risco para o bebê.

Iniciado o trabalho de parto, comunica-se o Médico Obstetra que orienta a  internação hospitalar, os procedimentos  necessários ( e os  desnecessários ), período em que  a parturiente vai sendo preparada.  

Ao chegar , o Obstetra e assistente avaliam a situação : frequência das contrações uterinas, batimento cardíaco fetal, dilatação do colo uterino, progressão da cabeça fetal no canal de parto ( bacia ) e sensibilidade dolorosa da paciente, além de reavaliar seus  medos e apreensões. A presença do parceiro - pai, é fundamental para a segurança da parturiente  e vivência do casal, pois ele pode acompanhar as contrações, ajudar para que  a parturiente encontre a posição mais  confortável no trabalho de parto, caminhar com ela no quarto, conversar sobre a chegada do bebê, etc..

Com o progredir da  dilatação do colo uterino, quando as contrações são mais dolorosas, é oferecida a anestesia epidural - combinada, adequada para o parto, por não interferir nas contrações uterinas nem no bem estar fetal. Tomar a  Anestesia é  escolha  da paciente.

A paciente sem anestesia mantém a liberdade de ficar em várias posições, porém na prática, qdo a dor é muito intensa, a anestesia é bem aceita pela parturiente. Quando aplicamos a anestesia, a paciente consegue ficar na posição semi-vertical, pois as camas de parto são apropriadas, pelos apoios para pés e braços que contém,  para facilitar esta posição que  se assemelha muito à do parto sem anestesia.

A Episiotomia só é realizada quando necessária, pela presença  de um períneo rígido ( pode ocorrer em gestantes com idade maior que 35 anos ), feto grande para o estreito inferior da bacia ou quando ocorre bradicardia fetal acentuada ( queda acentuada dos batimentos  cardiacos fetais ) . Nestes casos, além de ser benéfica para o feto, a Episiotomia  previne as lacerações extensas,  que  podem ocasionar rotura das estruturas adjacentes, como bexiga e reto.

Importante que   tanto a mãe como o pai visualizem o nascimento do bebê tão esperado. Logo a  seguir,  colocamos o bebê no colo materno, sob vigilância do(a) Médico Pediatra que  acompanhou  o nascimento. A ligadura do cordão umbelical é feita após a parada dos batimentos cardíacos  do bebê. 

Estimulamos o contato pele a pele da mãe com o recém nascido e a amamentação logo após o nascimento, medidas que favorecem muito a imediata interação entre os pais com bebê e a amamentação.

A partir  deste momento maravilhoso, a nova família começa sua  nova vida! Os pais tocam o seu filho(a), acariciam e vão se deslumbrando com a fisionomia, encontrando a parte de cada um presente naquele novo ser humano.

E se o Parto for uma Cesárea ??

Existem inúmeras indicações de cesariana, indicações maternas, fetais ou ambas. Em gestações de baixo risco, em que não existe alteração materna clínica ou ginecológica que coloque  a mãe e feto em risco , sua indicação pode surgir durante o trabalho de parto, seja por anormalidade nas contraçõs uterinas, falta de dilatação do colo, bacia estreita para a passagem do feto, dificuldades na rotação e descida do feto ou ainda por sofrimento fetal agudo.

O fato do parto ser cesariana não exclui a possibilidade de se estimular o contato pele a pele da mãe com o bebê e a amamentação precoce. Logicamente dependerá da liberação do pediatra que faz a avaliação imediata do recém nascido.

Também faz parte da Humanização da Cesariana, além da presença do pai na sala cirúrgica, a participação dos familiares através do visor de vidro da sala, extendendo este  momento maravilhoso também ao restante da família.

Após o parto, a mãe recebe as primeiras orientações sobre os cuidados do bebê, até sua chegada ao quarto após período de observação em torno de uma a duas horas.

 Assim, de maneira moderna e segura, respeitando os princípios da natureza no contexto familiar, podemos guiar e amparar os casais no início desta aventura maravilhosa que é gerar um  novo ser humano para o mundo.

 

Fonte de consulta : Livro : Centro de Parto Normal Intra-hospitalar

Editora : Dirce Laplaca Viana - 2010 - Anatália Lopes de Oliveira Basile - Monica de Souza Bomfim Pinheiro - Newton Tomio Miyashita

Voltar à lista de artigos

Comentários (1)

Christina

quarta-feira, 17 de maio de 2017 at 07:42:02

O artigo foi muito esclarecedor, me ajudou muito. Parabéns.

Escreva seu comentário

Campos marcados com * são obrigatórios.